OBJETIVO GERAL
Compreender uma educação estética na relação com ressonâncias dialógicas evidenciadas na práxis de um
corpo-território [en]cena em fotografias expandidas autorais
Elaborar fotografias expandidas - enfatizando a inter-relação com os corpos indígenas migrantes, moradores da Aldeia Urbana Laklãnõ/Xokleng Jô Tô Coziklãg (Blumenau -SC) - considerando a experimentação em novas tecnologias e processos expositivo no espaço citadino;
propor um conceito de corpo-território em perspectiva dialógica na relação com estudos de pesquisadores indígenas em um texto autoficcional;
discutir a teatralidade na fotografia expandida em um texto autoficcional;
evidenciar quais ressonâncias dialógicas emergem do tensionamento do corpo-território [en]cena nas fotografias expandidas elaboradas em um texto autoficcional; e
compreender uma educação estética em relação com as ressonâncias dialógicas evidenciadas no processo artístico em um texto autoficcional.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
CAMINHOS NORTEADORES
Norteada pela perspectiva dialógica da linguagem, trata-se de uma investigação teórico-prática na esfera da Educação em espaço não formal: a cidade de Blumenau. Arena de vozes, de interações sociais, no cronotopo blumenauense contemporâneo, minhas narrativas junto a outras narrativas, estarão teatralizadas nas fotografias expandidas elaboradas, produções coletivas e ideológicas, abertas à interpretações e a contra-respostas.
Nas ciências humanas, lida com seres humanos vivos, envolvem relações dialógicas, onde há interação de sentidos. Isso implica uma metodologia interpretativa, atenta à pluralidade de sentidos, aos contextos e às relações sociais em que os discursos se inserem.
(RE)VISISTAR ESCOMBROS
A práxis do corpo [en]cena em fotografias expandidas autoficcional, pode acenar ressonâncias dialógicas para discutir uma Educação Estética que compreenda o desenvolvimento estético de uma pessoa, atrelado à sua constituição integral enquanto um crítico, coerente e responsável.

Ampliar questões sobre formação estética nas esferas da arte e da educação;
enfatizar a necessidade dos estudos do corpo na educação;
contribuir para uma educação estética dialógica preocupada com a desconstrução de perspectivas reguladoras que sustentam a hierarquia, a classificação, a dominação, por vezes, a exclusão;
enunciar sensibilidades, afetos e outros modos de vida, ampliando os sentidos dados dos debates acerca da diversidade local/regional;
acenar possibilidades de ser, de viver e de constituir-se em contextos educacionais não escolares, em processos orgânicos, abertos e fluidos que afloram das relações cotidianas, nas aprendizagens que ocorrem na relação com pessoas e com intervenções artísticas e estéticas na cidade.

[EN]CENA
FOTOGRAFIA
EXPANDIDA
CORPO-TERRITÓRIO
Ser significa ser para o outro e, através dele, para si. O homem não tem um território interior soberano, está todo e sempre na fronteira, olhando para dentro de si ele olha o outro nos olhos ou com os olhos do outro.
(Bakhtin, 2020b, p. 341)
Ao explorar os processos digitais e outros sistemas visuais distintos, articula-se multissemióticas e acentua-se potencialidades expressivas da linguagem fotográfica, evoca uma narrativa dentro de um plano discursivo, com uma “densidade política, densidade histórica e densidade poética” (Fernandes Junior, 2006, p. 18), que amplia a dimensão estética do fotográfico.
Essas densidades (Fernandes Junior , 2006, p. 18) emergem de uma teatralidade (Fernandes, 2011; Horn, 2012) constituída por procedimentos cênicos, como a materialidade espacial, corporal, expressiva.
A teatralidadepode ser uma maneira de atenuar o real para torná-lo estético; ou um modo de sublinhar esse real com um traçado cênico obsessivo, a fim de reconhecê-lo e compreender o político; ou um embate de regimes ficcionais distintos que impede a encenação de construir-se a partir de um único ponto de vista, e abre múltiplos focos de olhar em disputa pela primazia de observação do mundo (Fernandes, 2011, p. 12).
Um Corpo-território na relação com a perspectiva dialógica e estudos de autores indígenas | povos originários | Sul Global
Composto pela relação entre forma composicional, estilo e conteúdo temático, o gênero é uma categoria não estável, é um processo explosivo, é gerado por um meteoro, um big big. Na medida que o coletivo vai aceitando o que vê, o gênero se inteira enquanto tal. Neste sentido, "[o] gênero lança uma luz sobre a realidade, enquanto a realidade ilumina o gênero” (Bakhtin, p. 201)
Em perspectiva dialógica, a teatralidade, nas fotografias expandidas apresentadas, por exemplo, possibilita tensionar a relação entre autor pessoa, autor criador e a personagem. Já, o cronotopo ampliado para além de frações de segundos, permite a inserção de multisemióticas, experiências outras, que expandem os sentidos.
Os sentidos elaborados estão atrelados às relações axiológicas, ás valorações que estabelecemos frente ao mundo, o que evoca pensar na intrínseca relação das distintas esferas ética e estética.
REFERÊNCIAS
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Tradução de Paulo Bezerra. 5. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2020a [1979].
BAKHTIN, Mikhail. O problema do conteúdo, do material e da forma na criação literária. In: BAKHTIN, Mikhail. Questões de literatura e de estética: a teoria do romance. Tradução de Aurora Bernardini, José Pereira Júnior, Augusto Góes Júnior, Helena Nazário e Homero Freitas de Andrade. 3. ed. São Paulo: Hucitec, 1993 [1975], p. 13-70.
BAKHTIN, Mikhail. Problemas da obra de Dostoiévski. Tradução, notas e glossário de Sheila Grillo e Ekaterina Volkóva Américo. Ensaio introdutório de Sheila Grillo. 1. ed. São Paulo: Editora 34, 2022 [1929].
DEEKE, José. Indígenas do Itajaí. Blumenau em Cadernos. Fundação Blumenauense de Cultura. Tomo III, Jan.-Mar. p. 104, 1967. Disponível em: http://hemeroteca.ciasc.sc.gov.br/blumenau%20em%20cadernos/2008/BLU2008011.pdf. Acesso em: 20 jan. 2023.
FERNANDES JUNIOR, Rubens. Processos de Criação na Fotografia: apontamentos para o entendimento dos vetores e das variáveis da produção fotográfica. São Paulo: Facom-FAAP nº 16, 2º semestre de 2006. p. 10. Disponível em: https://www.faap.br/revista_faap/revista_facom/facom_16/rubens.pdf. Acesso: 6 ago. 2024.
FERNANDES, Sílvia. Teatralidade e performatividade na cena contemporânea. Repertório, Salvador, nº 16, p. 11-23, 2011. Disponível em: http://www.ppgac.tea.ufba.br/wp-content/uploads/2021/03/Linha-2.pdf. Acesso em: 12 ago. 2024.
HORN, Evelyse Lins. Fotografia expandida: o documentário imaginário de uma paisagem submersa entre a arte contemporânea e o documental. Dissertação (Mestrado em Comunicação) - Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal do Ceará. Ceará. 2012. Disponível em: <https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/7860/1/2012-DIS-ELHORN.pdf>. Acesso em: 6. ago. 2024.
KRAUSS, Rosalind. A escultura no campo ampliado. Rio de Janeiro: Arte & Ensaios. v. 17, nº 17, p. 128 -137, 2008 [1979]. Disponível em: <https://revistas.ufrj.br/index.php/ae/article/view/52118/28402>. Acesso em: 5 ago. 2024.
