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SOBRE MIM

Sou uma mulher migrante, de ascendência indígena, habitando um território historicamente narrado pela colonização germânica: Blumenau (SC). É dessa condição de atravessamento que se constitui minha trajetória poética, artística e acadêmica. Atualmente, doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná (PPGE/UFPR), na linha Linguagem, Corpo e Estética (LiCorEs), investigo uma Educação Estética em perspectiva bakhtiniana, elaborando o conceito de “corpo-presença” como potência enunciativa que se teatraliza em processos fotográficos no campo expandido. Interessa-me compreender como esse corpo, situado e relacional, reverbera na formação estética de uma artista, professora e pesquisadora.

A tensão entre corpo e território emerge de minha pesquisa de mestrado em Educação, realizada na Universidade Regional de Blumenau (FURB), onde também me licenciei em Artes Visuais. Nesse percurso, mobilizei questões relativas aos povos indígenas Laklaño/Xokleng — presença constitutiva e, ao mesmo tempo, sistematicamente silenciada na região — articulando educação estética, produção artística e ensino da arte em perspectiva dialógica. Essa investigação não se encerra; persiste como campo de escuta, implicação e responsabilidade.

Minha atuação docente na FURB, em disciplinas como História da Arte, Arte e Estética Contemporânea e Arte e Tecnologia, desdobra-se em práticas que recusam a neutralidade do olhar e convocam o sensível como dimensão ética. Trabalho com fotografia desde 2009, intensificando, a partir de 2011, sua inserção no campo da arte. Em 2021, inicio estudos em Fotografia e outras visualidades contemporâneas (PUC Minas), expandindo a imagem para além do registro: a fotografia hibridizada como dispositivo de deslocamento e confronto. Minha formação atravessa filosofia, estética e imagem, com estudos em corpo, teatralidade e política da estética, tensionando uma prática situada entre pensamento crítico e experimentação.

Ao produzir com fotografia no campo expandido, tensiono modos de fazer e expor, articulando espaço citadino e expositivo. Aproprio-me de imagens de acervo histórico que, aplicadas como lambe-lambe sobre destroços de muros, operam como superfície onde o “corpo-presença” não apenas aparece, mas insiste, atravessado por deslocamentos, heranças e apagamentos. Ao reinscrever presenças indígenas Laklaño/Xokleng como forças vivas, o trabalho produz fissuras em um imaginário colonial que ainda organiza o ver, o dizer e o lembrar. A imagem torna-se, assim, campo de disputa, onde o corpo indígena deixa de ser vestígio para operar como enunciação.​

 

Habito uma zona de conflito: meu corpo migrante, de ascendência indígena, é território em disputa. Como propõe Bakhtin, ser é estar na fronteira, constituir-se no outro. Caminho pela cidade de Blumenau em relação com presenças indígenas no espaço urbano, elaborando sentidos onde se cruzam memória, apagamento e resistência, em um vale que insiste em se nomear europeu. Meu corpo não observa: ele é implicado, atravessado, convocado. Nesse processo, uma pergunta sustenta minha prática: o que ainda insiste em aparecer, mesmo quando tudo opera para que não seja visto?

CURRÍCULO

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FRANSUÊ RIBEIRO - 2022

© 2025 por Fransuê Ribeiro. 

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